Meu nome é Caroline Caputo e, juntamente com meu namorado e colega de profissão, Lucas Nicoli, viemos aqui trazer um pouco de informação e conhecimento sobre essa atual pandemia de Covid que estamos enfrentando.
Somos médicos, eu formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, atualmente residente no segundo ano de cirurgia geral pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCRP-USP), e Lucas formado pela USP-RP e atualmente residente no primeiro ano de clínica médica pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCRP-USP).
Acreditamos que a informação é fundamental em todos os momentos na nossa vida, principalmente no atual cenário, em que estamos lidando com uma situação totalmente inédita e ainda pouco conhecida, onde profissionais trabalham dia após dia na busca por conhecimento acerca dessa doença e de possíveis tratamentos e métodos de prevenção.
Por isso, viemos compartilhar com vocês um pouco do que sabemos e temos aprendido todos os dias na batalha dentro do nosso hospital. Esperamos que gostem!
Antes de mais nada, vamos falar sobre o que é a COVID-19 e por que ela se tornou esse problema tão grande no mundo todo. A doença é mais uma dentre as tantas às quais nos referimos popularmente como viroses. Isso mesmo, a Covid-19 nada mais é do que uma virose. Mas isso significa que ela é uma simples “gripezinha”? Longe disso!
Você já parou pra pensar sobre o que significa esse termo tão usado por médicos e pacientes: VIROSE? Quando usamos esse termo, nos referimos simplesmente a uma doença causada por um VÍRUS. Normalmente, optamos por utilizar esse termo generalista, e não o nome de uma doença ou vírus específico, porque a imensa maioria das viroses possui um quadro clínico INESPECÍFICO e AUTOLIMITADO. Traduzindo para o português: são doenças que se apresentam com sintomas muito semelhantes entre si, que não nos permitem distinguir entre uma ou outra, e como na maioria dos casos nosso corpo combate esses vírus sozinho, nós nem precisamos nos dar ao trabalho de saber exatamente qual é o bendito vírus que está nos causando a doença. Então, se a Covid-19 nada mais é do que uma virose, porque tanta preocupação?
Isso se deve basicamente a dois fatos:
1. Embora ainda não tenhamos dados epidemiológicos inequívocos, dado o pouco tempo decorrido desde o surgimento da doença (logo, pouco tempo para estudos científicos), o dia a dia nos mostrou que estamos diante de uma doença que se alastra de forma extremamente rápida.
2. Os casos graves da doença são casos que demandam um longo tempo de internação hospitalar.
Ou seja, mesmo que apenas uma pequena porcentagem dos casos se apresente de forma grave (o que nos parece ser verdade, pelos dados que temos até hoje), temos uma quantidade imensa de pessoas ficando doentes ao mesmo tempo. E, mais do que isso, os casos que precisam de internação hospitalar estão permanecendo por um longo período em um leito de enfermaria ou de unidade intensiva, impossibilitando uma alta rotatividade dos pacientes com Covid-19 nos hospitais, demandando cada vez mais e mais leitos.
Isso explica porque a Covid-19 é uma doença que realmente quebra Sistemas de Saúde, representando, de longe, o maior problema de saúde pública mundial atualmente.
Bom, e o que podemos fazer para contribuir para o controle da doença? Infelizmente, não há receita mágica, e o que vamos dizer aqui é mais do mesmo que todos vocês ouvem todos os dias no noticiário: isolamento social e medidas de higiene!
O isolamento social é tido como a estratégia mais eficaz para a prevenção da transmissão da doença. A lógica é simples: quanto menos pessoas você encontrar, menor a chance de você adquirir o vírus e, consequentemente, transmiti-lo. O uso de máscaras funciona como uma barreira mecânica para a disseminação do vírus pela fala, tosse e espirros, quando não podemos evitar o contato social; seu uso não garante 100% de eficácia, nem é baseado em
grandes estudos com demonstração de resultados, mas diante da situação de emergência em que nos encontramos, nos parece razoável adicionar uma barreira a mais na via de disseminação do vírus. Seu principal objetivo não é evitar que você se contamine usando a máscara, mas sim que você, caso seja um portador assintomático do vírus, não transmita para outras pessoas.
Lavar as mãos e antebraços com água e sabão é uma estratégia extremamente eficaz para eliminar as partículas virais que você pode ter adquirido caso tenha tocado algum objeto ou mesmo algum indivíduo que contenha o vírus. Quanto mais vezes, melhor! Faça disso uma rotina. O uso do álcool gel é igualmente eficaz e mais recomendado no dia a dia devido sua praticidade; não é necessário sua aplicação em ambiente domiciliar, a lavagem de mãos é suficiente. (ATENÇÃO!Cuidado com o uso do álcool, seja ele líquido ou em gel. Têm-se observado aumento no número de queimaduras por álcool nas últimas semanas. Lembre-se que é uma substância inflamável e deve ser mantido longe de crianças e chamas.)
Por fim, gostaria de citar uma última atitude igualmente importante para os esforços de contenção da pandemia: o apoio incondicional à ciência. Estamos vivendo tempos de descrença ao método científico, presenciando discussões que mais parecem conversas de séculos passados, e isso atrapalha de maneira brutal o controle de uma moléstia infecciosa, já que este é um processo que envolve as atitudes de todos os indivíduos de uma sociedade. Logo, é nosso dever, como indivíduos que compõem algo maior, agirmos de maneira disciplinada, de acordo com o que o conhecimento científico mais moderno nos orienta. Não busquemos soluções mágicas! Não demos ouvidos a líderes que defendem algo que não a ciência!
A solução definitiva para nosso problema (que provavelmente se materializará na forma de uma vacina eficiente) ainda não ascende no horizonte, e isso com certeza ainda levará um certo tempo. Até lá, o que nos resta é minimizar os danos, fazer nossa parte como indivíduos, cobrar nossos líderes e acreditar no trabalho sério de milhares de cientistas, das mais diversas áreas, que diariamente unem esforços por todo o mundo em busca de um mesmo objetivo: que possamos, em breve, nos abraçar novamente.
Dra. Caroline Caputo e Dr. Lucas Nicoli

